Como (estudante)psicanalista freudiano, eu vejo o anime “Redo of Healer” como um reflexo do inconsciente. Ele mostra impulsos primitivos e traumas.
Isso em remete a obra de Freud em “Recordar, Repetir e Elaborar” de 1914. Nesta obra, Freud explica como as pessoas repetem traumas em ações.
Elas não os recordam ou elaboram. O objetivo da terapia é transformar repetição em memória. Isso ajuda a superar o trauma. No anime, o herói repete o ciclo. Ele não elabora. Isso revela sadismo e masoquismo no ser humano.
Teaser de Redo of Healer
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Redo of Healer e a Teoria de Freud
“Redo of Healer”, baseado na light novel de Rui Tsukiyo, segue Keyaru, um curandeiro em um mundo de fantasia medieval, que é explorado, torturado física e sexualmente, e abusado mentalmente por aliados corruptos do Reino de Jioral, incluindo a princesa Flare e outros heróis.
Ele sofre por quatro anos, tornando-se um escravo drogado e violado, o que desperta nele uma convicção: os curandeiros são a classe mais poderosa, capaz de manipular não só corpos, mas mentes e até o tempo. Ao obter a Pedra Filosofal de uma demônio, Keyaru “cura” o mundo, retrocedendo quatro anos no tempo, mantendo suas memórias intactas. Agora, sob o nome Keyarga, ele busca vingança, infligindo aos abusadores os mesmos horrores que sofreu: tortura, estupro psíquico e físico, e controle mental.
Do ponto de vista freudiano, Keyaru exemplifica a “compulsão à repetição” (Wiederholungszwang). Freud argumenta que, em vez de lembrar o trauma, isso permitiria elaborá-lo e integrá-lo ao ego consciente –, o indivíduo o repete em ações, revivendo-o de forma inconsciente para descarregar impulsos reprimidos. Keyaru não recorda seu trauma para superá-lo; ele o repete invertendo os papéis. Onde foi vítima de abuso sexual e tortura, agora se torna o agressor, “curando” seus inimigos ao absorver suas experiências e habilidades, mas usando isso para infligir dor.
Essa inversão é um mecanismo de defesa sádico, onde o masoquismo original (submissão ao abuso) se transforma em sadismo projetado nos outros. Freud veria isso como uma falha na “elaboração” (Durcharbeiten), o processo terapêutico de trabalhar através das repetições para alcançar maturidade psíquica. Em vez de preencher lacunas na memória e superar a repressão, Keyaru perpetua o ciclo, tornando-se um anti-herói psicopático, cuja “vingança” é uma regressão ao id primitivo, dominado por pulsões de morte (Thanatos) e erotismo destrutivo.
Os temas profundos do anime como vingança, trauma e abuso são intensos e controversos, misturando elementos de isekai com hentai explícito.
Keyaru’s transformação de vítima para algoz reflete o conceito freudiano de identificação com o agressor, onde o traumatizado adota os traços do opressor para lidar com a impotência. No entanto, sem elaboração, isso leva a uma personalidade fragmentada, onde o superego (consciência moral) é suprimido, e o ego se alia ao id em atos de crueldade. O anime, com suas cenas gráficas, força o espectador a confrontar o próprio inconsciente, evocando repulsa e fascínio, um misto de catarse e horror que Freud associaria à sublimação falha de impulsos libidinais.
Argumento do Autor e Opiniões de Mangakas Famosos
Rui Tsukiyo, o autor, explica seu motivo. Ele gosta de histórias de vingança. Mas achava que faltava algo. Elas não eram hardcore o bastante. Ele viu o mercado. Vingança vendia bem. Então, ele fez uma versão extrema. Ele queria preencher uma lacuna em light novels escuras. Tsukiyo diz que escreveu para vender. Ele é honesto. Não liga para críticas. Ele ama o que faz.
Ele ficou surpreso com o público. Mais mulheres assistem do que homens. Isso quebra estereótipos. Mulheres gostam de fantasia de vingança. Tsukiyo usa dados de streaming. Mostra que temas escuros atraem todos.
Outros mangakas falam de temas escuros. Kentaro Miura, de “Berserk”, diz algo chave. Ele não quer fim sombrio para história longa e grim. Miura acha que grim demais precisa de luz no fim. “Berserk” tem vingança. Guts busca retribuição. Mas Miura quer equilíbrio.
Shinjiro, mangaka de horror, ama vingança. Ele quer desenhar “O Conde de Monte Cristo”. Ele mostra almas escuras de forma humana. Não estereótipos. Ele explora psicologia criminal. Vingança permite ver lados machucados.
Essas visões adicionam. Tsukiyo faz hardcore para mercado. Miura busca equilíbrio. Shinjiro humaniza o mal. Isso enriquece a análise freudiana. Mostra como autores lidam com repetição e trauma.
Motivações parecidas com Redo of Healer em Obras Similares
Em “The Rising of the Shield Hero”, Naofumi é traído e caluniado, tornando-se amargo e vingativo, repetindo desconfiança em relações novas, semelhante à compulsão de Keyaru. Aqui, o trauma é repetido em isolamento social, mas há um arco de elaboração parcial através de alianças, contrastando com a estagnação de Keyaru.
Em “Berserk”, Guts sofre traição e abuso horrendos durante o Eclipse, repetindo violência em sua caçada vingativa contra Griffith. Freud interpretaria isso como repetição compulsiva de perda e raiva, com pouca elaboração, levando a um ciclo de destruição. Similarmente,

“Death Note” mostra Light Yagami repetindo atos de “justiça” sádica, ecoando a inversão moral de Keyaru, onde o poder corrompe e perpetua trauma societal.
Outros como “Claymore” e “Tower of God” exploram vingança em mundos sombrios, com protagonistas repetindo dor para sobreviver, mas com momentos de reflexão que sugerem elaboração. Em “Mononoke” ou “Dandadan”, temas sobrenaturais misturam trauma com repetição, forçando confrontos com o reprimido. Essas obras usam a repetição não só como punição, mas como caminho para insight, diferindo de “Redo of Healer”, que prioriza catarse vingativa sem resolução.
Como Isso Nos Faz Refletir e o Que Causa em Nós
Histórias como Redo of Healer nos forçam a pensar em traumas. Evocam transferência. Projetamos impulsos no herói. Sentimos raiva liberada. Perguntamos: “E se eu mudasse o passado?” Gera desconforto. Ansiedade. Catarse.
Em nós, surge ambivalência. Repulsa por violência. Fascínio voyeur. Revela erotismo do trauma. Freud liga a libido destrutiva.
Nos faz refletir sobre justiça e vingança. Sociedades corruptas espelham repressão. Gera empatia torcida. Perguntamos se somos capazes disso. Freud diz sim. Sem elaborar, repetimos.
O anime não cura mas nos faz pensar sobre o mal e que sem lembrar e elaborar o ciclo continua. Pode gera vazio sádico. Ele pode nos levar a elaborar e portanto pode ser um “empurrão” para o lado terapêutico. Impulsiona autoanálise.
Obvio que muitos vão argumentar que isso pode impulsionar a violência mas isso eu deixo pra outra ocasião.
